Transcrição de “Chacal: Proibido Fazer Poesia”

Brazilian literature, Chacal, Cinema, Film, Filmes, Literatura, Literature, Poesia

Título: Chacal: Proibido Fazer Poesia
Direção: Rodrigo Lopes de Barros
Produção e Roteiro: Guilherme Trielli Ribeiro & Rodrigo Lopes de Barros
Website do filme: anaforuana.com/chacal

 

Sequência 1.

Hello! Hello!

Em abril de 2014, o poeta Chacal, convidado por Harvard, passa uma semana nos EUA, onde apresenta sua arte de poeta e performer. Ele se empenha num balanço memorialístico, ligado à  Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo), à Tropicália e ao rock.

Ao publicar seu primeiro livro em 1971, Chacal surge na fase mais truculenta da ditadura militar brasileira que, sob a tutela do AI-5, assolava o país com perseguições políticas, torturas, exílio.

O poeta propõe uma interpretação singular da (contra) cultura brasileira, dos anos 60 aos dias atuais.

Durante a visita, Chacal realizou performances, vocalizou poemas, gravou entrevistas, harvadiou pelo campus e arredores, vivendo a poesia à margem, irredutível a fórmulas e códigos de conduta, leis e normas estéticas.

Este filme resulta do contato-improvisação que os realizadores mantiveram com o poeta, oferecendo uma visão de sua passagem pela tradicional instituição norte-americana:  passagem contaminadora de uma poética pós-hippie e proto-punk.

 

Sequência 2.

ÓPERA DE PÁSSAROS

a objetividade da fotografia é uma falácia
erram os que acham que ela retrata o real.
o que há é que quando o fotógrafo diz
olha o passarinho! uma ave de asas oblongas
sai de dentro do olho da câmera
com uma paleta de cores
e um embornal de pinceizinhos
sobrevoa a cabeça do fotógrafo
sobrevoa a cabeça do fotógrafo
e pousa sobre seu ombro esquerdo
de lá, pinta a cena.
em suma,
a fotografia é uma ópera de pássaros.

 

Sequência 3.

A utopia hippie, que eu me comprometi mais, né? Paz e amor. E mudar os parâmetros da sociedade. Eu gostava disso. Eu vivi profundamente a época das utopias. Tanto política, tanto das guerrilhas, tanto da luta armada, apesar de não ter participado ativamente, mas vivi isso, quanto a dos hippies, do paz e amor, das comunidades. Eu não sei viver sem isso, sabe? E, ao mesmo tempo, o mimeógrafo fazia parte daquele contexto precário, pobre e urgente. Tudo isso eram valores positivos pra gente. Essa urgência… A polícia está correndo atrás de você e você ¾ pá! ¾ está ali, rodando os livros, fazendo os livros. Não tinha essa de acabamento, de fazer o grande poema. Então eu lancei meu primeiro livro em mimeógrafo. Muito prazer, Ricardo é de 71. Cem cópias em mimeógrafo.

 

Sequência 4.

RÁPIDO E RASTEIRO

vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.

 

Sequência 5.

Quero ficar pelado / eu não quero nem saber / nesse carnaval eu vou sair assim / tô maluco pra você / eu vesti roupa o ano inteiro / fiquei direito / tive até reputação / mas esse ano estou de luto / fiquei maluco / essa é a decisão / se você não aceitar / essa minha resolução / deixa isso para lá / aproveita o visual / que eu tô muito doidão / quero ficar peladão.

 

Sequência 6.

No Rio de Janeiro, entra em cena a Nuvem Cigana: um bloco de poetas, arquitetos, funâmbulos, fotógrafos e arruaceiros.

Ah, Nuvem Cigana… A Nuvem Cigana, em pouco mais de 7 anos de existência, publicou uma dezena de livros, almanaques, calendários e produziu uma infinidade de Artimanhas, que eram recitais explosivos, anárquicos, que sempre acabavam em batucada.

E ela, em plena ditadura, a Nuvem Cigana, em plena ditadura, ela circulava pelas artérias da cidade, espalhando o delírio, o carnaval, a poesia.

“Enquanto houver bambu, tem flecha!”, “Enquanto houver bambu, tem flecha!”, dizia Ronaldo Bastos. “Firme no leme que a reta é torta!”, “Firme no leme que a reta é torta!”, dizia Luís Eduardo Resende, poeta e artista plástico do grupo.

Às quinta-feiras, a bola rolava no Caxinguelê, e depois dos embates terríveis, aquelas peladas monumentais, a rapaziada se reunia no bar pra tomar uma cervejinha. E então, lá, a ala dos compositores do Bloco Carnavalesco Lítero-Musical Euterpe Charme da Simpatia, o braço alado da Nuvem Cigana, desfilava os seus sambas:

Quero ficar pelado / eu não quero nem saber / nesse carnaval eu vou sair assim / tô maluco pra você…

 

Sequência 7.

E vivia essa vida lá no Rio, de contracultura. Sexo, drogas e rock’n’roll. E foram as duas coisas que fizeram a minha cabeça: a televisão e, depois, o ácido lisérgico, que era uma coisa ¾  foi uma bomba, cinquenta megatons na minha cabeça! ¾ que tinha a ver com aquele momento. Eu queria ter aquela experiência. O pessoal dizia: “você vai toma isso e vai ver as cores se mexendo, os sons, brilhos.” “Porra, eu quero, eu quero isso!” Aí tomei um, cara, e nada acontecia. Eu pegava o disco do Hendrix e ficava balançando na minha frente e nada, nada. Aí peguei papel e lápis e comecei a escrever: “quero deixar aqui, bem claro, meu protesto contra a ausência de cores, sons, luzes, brilhos…” Quase que eu mando pro PROCOM. Toda a coisa do ácido é uma busca de uma outra percepção, não só sensorial mas filosófica. Era uma necessidade quase que histérica naquele período. E não era só o ácido… Servia cogumelo, servia maconha, servia vários outros tipos de drogas, né? A gente era praticamente um piloto de prova, teste drive de tudo o que aparecia pela frente. Mas, na verdade, isso vinha de Rimbaud: o desregramento total dos sentidos.

 

Sequência 8.

A Poesia Marginal, por exemplo, é um saco-de-gatos. Não tem um estatuto definido, por exemplo, como tem a Poesia Concreta. O próprio Modernismo, por exemplo, tem o manifesto dele e vários movimentos têm os seus manifestos. A Poesia Marginal não. E, dentro dela, tem vários grupos distintos. O que que nos uniu? A ditadura. E a ditadura, aquele espantalho, era maior que qualquer briguinha da gente. Entre nós e o Concretismo, embora houvesse essa briga entre Poesia Marginal e Concretismo e outras diferenças, por exemplo, minhas com o Waly [Salomão], com o [Paulo] Leminski. Eles não se consideraram poetas marginais. Eles achavam que a Poesia Marginal era de baixo repertório, que não dialogava com a tradição poética. Mas estavam juntos, estavam juntos naquele momento.

UMA PALAVRA

uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa

Sequência 9.

CIDADE

cidade: parada estranha

aglomerações
linhas cruzadas
engarrafamentos

estranha cidade parada 

cristalização de caos tédio estupor
escornada no espaço
veias abertas pedindo mais mais mais sempre mais

cidade: paradinha sinistra
babel bélica
bando de gente a ir a algum lugar nenhum
infinito véu de pulsações
gases           desejos           dejetos           gestos
palavras & balas
perdidas perdidas perdidas

cidade: sinistríssima parada

tudo é recriado e se esfumaça
seus citroens    seu rock and roll
luzes da ribalta refletem na sarjeta
what’s going on
as prensas não podem parar
notícia notícia notícia
revista já vista já velha
reprocessando matéria
clonando idéia
novelha novelha novelha

parada cidade estranha

choque elétrico todo dia
a dias meses anos
desintegrar – bang big –
numa implosão final
impotentes para formatar
bilhões de bytes
trilhões de raios catódicos
em expressão inteligível

          cidade : parada estranha

excesso exagero coisa fumaça
corpo crivado de bits
corpo crivado de bits
corpo crivado de bits

 

Sequência 10.

Essa diferença, que eu ainda não consigo expressar com muita clareza, essa passagem dos 60 pros 70, é como se todas as utopias tivessem ruído. Os hippies, a contracultura… E, de repente, você tem o fato histórico do John Lennon falando que “o sonho acabou”, em 71. E as mortes, também, de Hendrix, Joplin, Jim Morrison. Então parece que não havia mais saída. A lisergia, as experiências psicodélicas, iam nos levar à morte. Isso, do lado de lá. Do lado de cá, a deportação do Caetano, do Gil. Isso foi um fato simbólico muito potente. A censura, a repressão, definem um pouco essa nova geração que estava chegando, inclusive a Poesia Marginal. Eu acho que é uma geração proto-punk. Ela é pós-hippie e proto-punk. Ela não tem mais a ilusão do sonho, que tinha nos 60, e já tem a ideia da porrada, dos punks dos anos 70.

 

Sequência 11.

Meu primeiro poema psiquiátrico:

Da orelha esquerda de Moisés
saltava um duende capenga
nas noites de lua nova.

Esse poema tem um ritmo e tem ao mesmo tempo essa secura, essa coisa do Oswald de Andrade. E ao mesmo tempo ele tem imagens psicodélicas. Duendes, capengas… Isso já é influência dos anos 70, dos ácidos que eu tomei. Então havia essa mistura, não? Eu era um Oswald psicodélico. Que é o que eu era, na verdade.

 

Sequência 12.

Rio de Janeiro, 1970. Entre gritos de gol do tricampeonato do México e uivos de dor de presos políticos sob tortura, a vida é um pesadelo. Quem tem um mínimo de senso de justiça social vai à luta com as armas que tiver à mão. Um dia, Charles me apresentou esse livro: Oswald de Andrade. O antropófago-mór. Fiquei três dias boquiaberto. Enfim, o que eu procurava: o poema enxuto, o poema engraçado, o cinepoema. E os manifestos! E os manifestos de Oswald! “Só a antropofagia nos une!” “O carnaval no Rio de Janeiro é o acontecimento religioso da raça!” “Alegria é a prova dos nove no matriarcado de Pindorama!” “Queremos a revolução caraíba!” “Queremos a revolução caraíba!” “Queremos a revolução caraíba!”

E aqui, que eu nem fiz… ah, fiz, sim… é um… é um cubo de… como se fosse uma grade, uma gaiola… só que é um cubo. Aí eu pulo em cima dele pra fazer o comício-relâmpago, “Abaixo a ditadura!” e tal…

Rua Santa Luzia, centro do Rio, comício-relâmpago! Vladimir Palmeira, líder da UBES, pula em cima de um poste, grita meia dúzia de palavras de ordem, incendeia a galera e vaza! “Só a luta armada derruba a ditadura!”; “O povo unido jamais será vencido!”; “Abaixo a Reforma Universitária!”; “Abaixo a Reforma Universitária!” Comício-relâmpago: a síntese, a urgência, a convicção daquilo que se diz! Levei comigo. Todo poeta é um traficante de armas! Todo poeta é um traficante de armas! é um traficante de armas!

 

Sequência 13.

A gente ia ver o Yellow Submarine no Museu de Arte Moderna e ficava chapado com aquilo. Tinha todo um estímulo visual ali, nas capas de discos e nas músicas. “Their Satanic [Majesties] Request”, dos Stones, aquilo era extraordinário! Aquilo é feito possivelmente sob efeitos lisérgicos, não é possível, é como o “Sargent Pepper’s”! Então você estava embebido por isso, por esse mundo. Aquilo fazia parte de você, era uma segunda pele, fazia parte do teu corpo. Era quase como uma coisa política, você está tomando e tentando mudar o mundo. Você saía na rua assoviando e aquilo tudo era como se fossem mensagens da revolução. A arte era o estopim da revolução. Era por ali que a coisa vinha. Godard? Godard era de uma violência brutal aquilo. Não era tão paz e amor assim. Era uma tentativa desesperada de sair de uma estrutura, inclusive de pensamento. Tentar romper com essa lógica Ocidental do pensamento, do sujeito-verbo-predicado, essa coisa linear, cartesiana, que rege o nosso pensamento. Era você, através de um outro tipo de comportamento, de uma outra visão de mundo, era você tentar romper com isso. Era você cortar na raiz. Era uma coisa radical. A partir da linguagem.  E a polícia não gostava disso. Era proibido ser feliz. Era proibido ficar doidão. Era proibido ter cabelo comprido. Proibido fazer poesia.

 

Sequência 14.

NA BIBLIOTECA

Com a loucura no bolso, Orlando entrou
na biblioteca de Harvard.
Folheou folhas estapafúrdias sobre
As idéias a arquitetura e a descompostura
Dos homens.
Aí achou graça. Aí ficou sério. Aí riu.
Aí chorou demais.
Aí começou a tremer.
Sentiu o bolso furado.
Sentiu o corpo molhado.
Derretendo-se.
Beto chegou a tempo de recolher num copo
A poça d’água que coria pro ralo.
Orlando disse mais tarde:
Não faço isso never more.

 

Sequência 15.

Os anos 70, eles continuam, continuam acontecendo. Eu tenho uma esperança. Eu vejo uma nova geração no Brasil muito diferente do que eu via há dois, três anos atrás. Um pessoal muito ligado. E não é só no Mercado. Pelo contrário: é com alternativas, melhores, inclusive, das que nós tínhamos nos anos 70, que sair da cidade era uma utopia, era um desejo, mas que hoje em dia já tem toda uma turma estruturada pra isso. E mesmo os que ficam voltaram a brigar nas ruas, voltaram a sonhar, achando que é possível. Pelo menos a garotada voltou a mostrar as garras novamente.

 

Sequência 16.

Por favor, apagai a ribalta porque Magomagu quer performar para o distinto auditório.

“Vida”
Roer
Moer
Remoer
Morrer

Oh! Oh! Ninguém gostou, poxa… Ah… Ah… Eu sei que vocês querem que eu faça de novo, não ficou bom.

“Vida”
Roer
Moer
Remoer
Morrer

(aplausos)

Muito grato! Muito grato! Não precisa, não precisa aplauso, não precisa. Magomagu dispensa aplauso. Magomagu em Harvard! Vocês verão o que é Magomagu em Harvard… Harvard! Magomagu veio harvadiar com vocês…

 

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Chacal: Proibido Fazer Poesia (Trilha Sonora)

Chacal, Cinema, Filmes, Literatura, Música, Poesia, Trilha Sonora

Está integralmente disponível no Soundcloud o album da trilha sonora do filme “Chacal: Proibido Fazer Poesia”, com três músicas compostas por João Pedro Garcia e uma por José Augusto Cunha, o Tustão.

João Pedro Garcia recebeu o prêmio de melhor trilha sonora original no Festival de Cinema de Três Passos em 2015.

Nota do Diretor sobre “Chacal: Proibido Fazer Poesia”

Chacal, Cinema, Diretor, Ensaio, Filmes, Literatura

 

Por Rodrigo Lopes de Barros

(Publicado em Revista Pessoa, 30 de outubro de 2015. http://goo.gl/wruRz2)

Arrisco dizer: um filme de abordagem quase ficto-etnográfica. Se, como colocaria Jean Rouch, é bem possível que os africanos ao realizarem seus filmes vejam outra Paris (bem como os europeus certamente registraram Áfricas distintas das que experimentavam os seus habitantes, digamos, nativos), o que então pode alguém como eu – desenvolvido pelas margens do establishment cultural brasileiro, como um outsider – ver de um movimento literário da Zona Sul do Rio de Janeiro dos anos 1970? Um tempo-espaço que, obviamente, só pode me causar fascínio pela distância, exotismo e alteridade pela maneira que a mim se apresenta, e simpatia pela audácia de se proclamar “marginal”, quando o mais fácil seria seguir o rastro de movimentos e pessoas que hoje estão institucionalizados como alta cultura.

Não me restou saída a não ser trabalhar com esse paradoxo de uma tradição que me é ao mesmo tempo existente e alheia. Chacal: Proibido fazer poesia foi a possibilidade de imersão em questões político-estéticas ainda latentes de como abordar uma certa memória cultural que não está nem totalmente dentro nem completamente fora do que é o “Brasil” predominante ou do que sou eu mesmo – alguém impossibilitado por questões estruturais de possuir qualquer sentimento mais forte de pertencimento ou identificação com esse país e que tampouco pode se desvencilhar completamente dele. 

Renata Gonçalves Gomes resenha o documentário de Rodrigo Lopes de Barros sobre Ricardo Chacal (Brasil)

Chacal, Cinema, Crítica, Filmes, Literatura, Reblogging, Resenha

el roommate: colectivo de lectores

Ricardo Chacal, o poeta marginal em Harvard

Resenha do curta-metragem Chacal: Proibido fazer poesia. Direção de Rodrigo Lopes de Barros, Co-Produção Guilherme Trielli Ribeiro, 2015, 24:13 min.

O curta-metragem de Rodrigo Lopes de Barros tem como principal objetivo acompanhar a semana em que o poeta Ricardo Chacal passou em abril de 2014 nos Estados Unidos. Além de diretor de cinema, Rodrigo é professor da Boston University e trabalha com literatura brasileira e latino-americana. Juntou, portanto, esses dois ofícios à familiaridade com a vida acadêmica da costa Leste dos Estados Unidos e realizou Proibido fazer poesia, que se mostra inovador tanto para aqueles que conhecem Chacal quanto para aqueles que querem conhecer a poética dele. Para esta mesma semana, em abril de 2014, Chacal foi convidado para a 12th Brazil Week at Harvard, na Universidade de Harvard, para fazer performances, ministrar uma oficina de poesia e dialogar com…

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Chacal: poesia e contracultura

Chacal, Cinema, Crítica, Ensaio, Filmes, Literatura, Reblogging, Resenha

Graúna

Por Kleber Amancio

Trailer do filme

O documentário Chacal: Proibido fazer poesia é um curta que se propõe a narrar a estadia de Ricardo Chacal junto à Universidade de Harvard, nos EUA. O filme foi rodado em abril de 2014, na ocasião em que o poeta marginal foi convidado pelo Department of Romance Languages and Literatures a fazer parte de um evento: a Brazilian Week, organizado pelos professores e alunos do Departamento, dentre eles o saudoso Prof. Dr. Nicolau Sevcenko.

O filme, que conta com direção de Rodrigo Lopes de Barros, pretende-se uma obra colaborativa entre os realizadores e o artista; mais do que um mero diário da passagem de Chacal por Harvard (como pode parecer num primeiro momento), a fita documenta suas performances, explora suas memórias; de suas obras, da cena política e do contexto artístico em que começou a produzir. Colaborar talvez seja o termo mais acertado para definir a função da direção.

Logo…

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Documentary interplays with Brazilian poet Chacal and his Post-Hippie and Proto-Punk Aesthetics [Press Release]

Brazilian literature, Chacal, Cinema, Essay, Film, Literature, Release

The film follows the April 2014 visit of the “marginal” poet to Harvard University 

 

Chacal: Forbidden to Write Poetry (2015, directed by Rodrigo Lopes de Barros and co-produced by Guilherme Trielli Ribeiro) is an allegoric transposition of the memories and interpretations about Brazilian culture that poet Chacal presented at Harvard University, in April 2014. The film offers an overview of his poems, performances, workshops, talks and life experiences, which took place during his passage through the well-known American educational institution.    

The documentary is based on the exchange between the filmmakers and the poet. Chacal engaged in a reflection on his own artistic journey, from his debut through the mimeographed book Muito prazer, Ricardo (1971) to the present day – encompassing his iconic collection of poems Belvedere (2007) and the publication of his autobiography and cultural testimony Uma história à margem (2010). These reflections involve, therefore, nothing less than four and a half decades of poetry, whose tensions emanate from a meticulous work concerning poetic language, as well as from an attentive observation of Brazilian and Western historical experience.         

Shot partially in Super 8, the film aims at providing, through images, the high-tension of the dialogue between the camera and Chacal’s electrik lyrics and vocals – as he proclaims to be the psychedelic reincarnation of Brazilian modernist Oswald de Andrade. His groundbreaking countercultural poems, which appear to be traversed by beats and rhythms from Tropicália (by lucid emotion and acid irony), discuss anthropophagically his poetic and political challenge: “Every poet is an arms dealer.”  

 

Technical Specifications   

English Title: Chacal: Forbidden to Write Poetry
Original Title: Chacal: Proibido Fazer Poesia
Year: 2015
Director and Editor: Rodrigo Lopes de Barros
Production and Screenplay: Guilherme Trielli Ribeiro and Rodrigo Lopes de Barros
Performance: Ricardo Chacal
Original Soundtrack: João Pedro Garcia & Tustão Cunha
Cinematography: Mar Bassa and Rodrigo Lopes de Barros

Length: 25 min.